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Renda do servidor público cresce mais que a do trabalhador privado

Entre 2012 e 2020, a renda do setor público cresceu 20% contra apenas 7% do setor privado. Diferença deve crescer ainda mais na pandemia com o aumento das demissões nas empresas.

Entre 2012 e 2020, a renda do servidor público cresceu 20% contra apenas 7% do trabalhador do setor privado. Diferença deve crescer ainda mais na pandemia com o aumento das demissões nas empresas.

Entre o primeiro trimestre de 2012 e o último trimestre de 2020, a renda média do servidor público aumentou 20,4% entre aqueles com carteira assinada e 13,1% entre os militares e servidores estatutários (com concurso público). Durante o mesmo período no setor privado, o aumento foi de apenas 7,1% para os profissionais com carteira de trabalho assinada.

Renda do servidor público cresce mais que a do trabalhador privado

Os números foram levantados pela consultoria IDados, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A diferença salarial entre os setores é antiga, vem aumentando e deve subir ainda mais durante a pandemia. O pesquisador da IDados Bruno Ottoni aponta o fato de os funcionários de empresas privadas sofrem com demissões e reduções salariais, especialmente em momentos de crise e reestruturação econômica, enquanto o servidores públicos mantêm a estabilidade, com correção monetária e ajuste de salários.

Esta disparidade deve ficar mais evidente nas próximas pesquisas. Em 2020, o governo criou o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), que permitia às empresas acordos de redução e suspensão de jornada com seus funcionários para conter as demissões na pandemia. Uma reedição do programa está sendo desenhada pelo governo e deve ser lançada em breve.

Especialistas destacam a diferença histórica entre a remuneração dos setores público e privado, mas apontam que há disparidades entre os servidores, que variam especialmente entre os níveis de governo (federal, estadual e municipal) e os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).

Os funcionários federais são os que tendem a ter renda superior aos do setor privado, apontam, movimento que não necessariamente se repete entre os servidores estaduais e municipais.

No quarto trimestre do ano passado, a renda média de militares e servidores estatutários (com concurso público) – que são a maioria no setor público, com 8,7 milhões de pessoas – era de R$ 4.482 (13,1% a mais que no início de 2012).

O valor é 91,1% maior que a renda média do trabalhador com carteira assinada do setor privado, que recebia, no fim de 2020, R$ 2.345.

Já entre os empregados do setor público com carteira assinada, o rendimento médio era de R$ 4.137 no fim do ano passado (salto de 20,4% ante 2012), o que significa 76% a mais que o valor do setor privado. Esse grupo do setor público é formado principalmente por cargos comissionados ou funcionários em empresas públicas e tinha 1,194 milhão de pessoas no fim de 2020. 

Em resumo, percebemos que não apenas a renda real habitual média do setor público é muito maior que a do privado, mas que essa diferença vem aumentando. Isso provavelmente se deve a características do setor público, como correção monetária e ajustes automáticos dos salários, progressão de carreira garantida e maior estabilidade, que não são tão frequentes no setor privado.

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