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Endividamento e inadimplência dos servidores públicos

Segundo dados do Banco Central, em 2019, o endividamento dos servidores públicos atingiu a marca de R$222,2 bilhões em crédito consignado.

A concessão de crédito no Brasil cresceu com força na última década, e os servidores públicos foram grandes beneficiários dessa expansão. Com estabilidade e um alto padrão de consumo, os servidores puderam aumentar seu poder de compra.

Dívida servidores públicos

Segundo dados do Banco Central, em 2019, os servidores públicos atingiram R$222,2 bilhões de endividamento em crédito consignado (modalidade cobra taxas de juros menores, pois o desconto das parcelas é feito diretamente na folha de pagamento). Entre janeiro e dezembro daquele ano, o montante emprestado cresceu R$33,6 bilhões, o que significa um aumento médio de R$2,8 bilhões por mês ou R$133,4 milhões por dia útil. O saldo devido aos bancos nessa modalidade de crédito cresceu 17,8% em relação a 2018.

A demanda de consignado pelos servidores é tão alta, que o aumento de R$33,6 bilhões é 46% maior que todos os débitos dos trabalhadores da iniciativa privada com o mesmo tipo de crédito, de R$23 bilhões.

Segundo especialistas, a discrepância do endividamento entre o setor público e o privado se deve à preferência dos bancos em concentrar os empréstimos no setor público, devido à estabilidade dos servidores no cargo. Na iniciativa privada, a concentração de risco é maior devido a não restrição para demissões. Nestes casos, as chances de calotes são enormes. O Brasil contabilizou recorde e atingiu 13,4 milhões de desempregados em 2020.

Em 2018, de acordo com pesquisa do Serasa Experian, os funcionários públicos correspondiam a 61% da carteira de consignados do Santander e no Banco do Brasil, essa participação chegava a 87% da carteira.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 11,5 milhões de servidores entre municipais, estaduais e federais. Dividindo a dívida total de consignado por todos os servidores, é como se cada um devesse R$19.138 aos bancos. Esse valor é equivalente a cinco vezes o salário médio recebido pelo funcionalismo público, de R$3.716.

Hoje, há um superendividamento dos servidores. Muitos passam por sérias dificuldades por conta do excesso de dívidas. Iniciam com o crédito consignado e partem para créditos mais caros, como empréstimos pessoais, cartão de crédito e cheque especial.

Infelizmente, o governo não tem controle do nível de dívidas contraídas pelos servidores. O governo só consegue monitorar as dívidas de crédito consignado, pois são registradas na folha de pagamento.

Em 2018, o Brasil chegou a marca de 61,8 milhões de inadimplentes. O montante alcançado foi de R$273,4 bilhões, com uma média de 4 dívidas por CPF, totalizando R$4.426 por pessoa. No mesmo ano, a inadimplência atingiu 29% dos servidores municipais e federais e se aproximou do nível de inadimplência geral dos brasileiros, de 40%.

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